Etnografia no Virtual
um olhar antropológico na WEBArquivo para Março, 2007
de Susan Zickmund…
A literatura subversiva é uma forma de articulação do discurso de uma comunidade, expressando sua consciência histórica e sua identificação cultural. Baseado neste conhecimento histórico e cultural, desenvolve-se uma Weltanschauung argumentativa, que vem promovendo uma retórica da antipatia e que dá suporte às facetas (aos símbolos) únicas do radicalismo americano. Os indivíduos que propagam estes discursos unificam-se em estruturas de uma mesma ideologia subversiva. Eles são ‘interpelados’, um fenômeno que Althusser define como o processo discursivo de chamar um coletivo de indivíduos a formar um grupo através de uma tela de projeção ideológica. Esta interpelação ideológica torna-se mais importante quando se examina a cultura subversiva no ciberespaço. Essas ciberculturas não têm o que Heidegger define como ‘cotidianidade’ da vida, que é requerida para criar das Man, ou as estruturas mais abrangentes da sociedade que, por vezes, moldam a percepção individual de estar no mundo.
Approaching the radical other: the discursive culture of cyberhate. In David Bell & Barbara Kennedy (orgs.): The cybercultures reader. Londres: Routledge, 2000, p. 237-256. Susan Zickmund era, na época de redação do artigo, professora-visitante do Depto. de Medicina Interna da Universidade de Iowa.
Evans-Pritchard
“Eu não tinha interesse por bruxaria quando fui para
a terra zande, mas os Azande tinham, de forma que tive de me deixar guiar por eles”.
O primeiro capítulo de Social Anthropology and Other Essays. E. E. EvansPritchard. Free Press. New York. 1966, aqui.
Cf. Evans-Pritchard, E.E.: Bruxaria, Oráculos e Magia entre os Azande, p.300.

