Etnografia no Virtual

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Arquivo para poemas

Dois Parlamentos

- Nestes cemitérios gerais

os mortos não mostram surpresa

- A morte para eles

Foi coisa rotineira.

- Nenhum tem o ar de ter morrido

em instantâneo ou guilhotina.

- Porém de um sono lento

que adorme, não fulmina.

- Em nenhum deles há as posturas

desses que morrem sob protesto.

- É sempre a mesma pose

sem nenhum grito, gesto.

- Entre eles gestos de eloqüência

não se vêem nunca, quando a morte.

- Todos morrem em prosa,

como foram, ou dormem

um poema de João Cabral de Melo Neto

Poema contra o racismo