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Vilém Flusser, uma citação

A ambivalência do símbolo, seu significado ao mesmo tempo “concreto” e “transcendente” (de tal modo que os dois conceitos se confundem) é decididamente uma mensagem da poesia de Dora. Ela faz lembrar singularmente o pensamento medieval, a Kabbala, a alquimia, Raimundus Lullus, apontando assim para a poesia concreta. No centro de sua poesia há uma série denominada “Tapeçarias”, que evoca realmente tapeçarias medievais (como as que podemos ver em Beaune ou Angers). Com sua estrutura logicamente perfeita, com os seus símbolos paradoxalmente secretos e transparentes, com a aparente ingenuidade e efetiva perfeição técnica, sobretudo com a respiração de sua beleza sutil, ela é uma introdução ao universo de Dora. Poetar significa para ela tecer símbolos salvíficos que nos ancoram novamente na verdadeira realidade. Por isso, poetar significa para ela o mesmo que orar ou rezar, e é talvez por isso que não é capaz de dar o passo para trás da poesia: esse passo a faria entrar no totalmente Outro, no significado do mundo. Ter vivenciado com ela este movimento para além do símbolo foi uma experiência insubstituível, difícil de avaliar.


Um perfil de Dora Ferreira da Silva In: Bodenlos: eine philosophische AutobiographieDusseldorf/Bensheim: Bollmann, 1992.Uma primeira versão da tradução feita por Dora Ferreira da Silva

Entrevista com o professor Iulo Brandão

Artur Araujo
Publicada no dia 13 de abril de 1997 no jornal Diário do Povo
(Campinas / São Paulo / Brasil)

Diário – Professor, por que até hoje o Brasil não produziu até hoje um grande filósofo?
Iulo Brandão – O Brasil dispõe, desde o início do século, de gente de valor nesta área. Para se tornar entretanto um filósofo de alto nível, é preciso que o País tenha certas condições culturais que permitam o seu surgimento, condições estas que a Europa teve.

Diário – Que condições seriam estas?
Iulo – Uma produção cultural de qualidade sólida, consagrada e difundida junto à população. Agora, no Brasil, em 1934, criou-se, na USP, a primeira faculdade de filosofia na rua Maria Antônia, lá em São Paulo. Ela desenvolveu-se sob a égide dos grandes pensadores franceses, que vieram ao Brasil para dar um certo impulso à universidade. E valeu a pena, pois eles fortaleceram o pensamento filosófico no Brasil. Seus alunos disseminaram as idéias filosóficas no Brasil. Isso não quer dizer que eles eram imitadores. Foram homens que refletiram a partir da temática trazida por esses professores. Mas essa reflexão ia até um certo ponto. Não deu margem para que surgisse um homem da categoria de Kant, por exemplo. Mas gerou gente muito boa.

Diário – O senhor poderia citar algum nome de filósofo formado por esses professores que se destacou?
Iulo – Laerte Ramos de Carvalho, que se dedicou à filosofia da Educação, e Cruz Costa, que se tornou um porta-voz do positivismo.

Diário – Há um projeto, que já está há algum tempo em discussão junto a parlamentares, a filósofos da educação e pedagogos, de se reimplantar a filosofia mas escolas de segundo grau. O que o senhor acha desta iniciativa?
Iulo – Em princípio, é louvável a idéia. Resta entretanto saber se vamos colocar professores realmente competentes para lecionar. O risco que vejo nesta iniciativa bem-intencionada é que os professores, em vez de ensinar, façam proselitismo, ou seja, a defesa de um ou outro ponto de vista pura e simplesmente. Precisaríamos de gente muito boa para fazer isso. E a filosofia é um objeto sério de estudo. Outro risco são aqueles professores de fazem do ensino a simples exibição de erudição vazia, sem levar o estudante a uma tomada de consciência da temática filosófica, que é mais importante. Se nós tivermos gente qualificada, é a melhor coisa que nós podemos fazer, como havia no passado, no antigo curso clássico…

Diário – …Que equivalia ao curso de segundo grau…
Iulo – Na época havia dois tipos de curso, o científico, que tinha um ano de filosofia, e o clássico, com dois anos de filosofia. Eu fiz o curso clássico ainda em São Carlos onde nasci, logo após o fim da Segunda Guerra Mundial. Tive aulas com José Geraldo Pereira Lima, da USP, que era um grande professor. O clima que reinava na época era de grande efervescência cultural filosófica em São Carlos…

Diário – A que o senhor atribui o fim do curso de filosofia nas escolas de segundo grau?
Iulo – Com a invasão da tecnologia e das ciências exatas, a filosofia sofreu um pequeno abalo. Isso fez com que o curso clássico terminasse sendo extinto, substituído pelo curso científico.

Diário – Professor, o escritor peruano Vargas LLosa escreveu recentemente que cada vez mais é difícil encontrar jovens que se dedicam à área de ciências humanas com um bom nível cultural, com uma visão de mundo rica e criativa, o senhor concorda com isso?
Iulo – Ele tem razão, sem dúvida. As ciências humanas sofreram um certo recuo por parte do interesse do jovem. O que passou a se propagar e difundir foram as ciências exatas, que invadiram o mundo. O nível caiu, igualmente, por causa das poucas perspectivas do campo de trabalho para as áreas humanas e sociais. As ciências exatas oferecem um grande campo de trabalho na área tecnológica.

Diário – O mercado então ajudou a excluir a filosofia?
Iulo – Sim, ou pelo menos marginalizou. Um estudante de filosofia, se tiver de buscar um mercado de trabalho para sua atividade vai ter dificuldades imensas.

Diário – Quais as perspectivas profissionais de uma pessoa formada em filosofia?
Iulo – Não há outras opções. Trata-se de uma atividade especulativa. Ele pode derivar sua formação para a psicologia e outras áreas afins. Por outro lado, as universidades estão com um grande número de alunos de filosofia. A USP mesmo tem muitos. Esses alunos ou têm boas condições financeiras, e não precisam procurar mercado de trabalho ou então, no plano da docência, eles terminam assimilados pela própria universidade.

Diário – Professor, há um dito italiano que define a filosofia como “a ciência que, sem a qual ou com a qual, o mundo vive tal e qual”, ou seja, ela é uma disciplina dispensável. O senhor concorda com a definição?
Iulo – É um dito superficial. O autor devia pensar que a filosofia deveria mudar o mundo somente pelo fato de existir. Mas, na verdade a filosofia mudou o mundo. Veja por exemplo Descartes…

Diário – Ele mudou as ciências exatas…
Iulo – Ele mudou a concepção do mundo, introduzindo o racionalismo, gerando modificações profundas.

Diário – Foi ele que introduziu a matemática como idioma das ciências exatas…Iulo – Há também Hegel, que fez a apologia do abstrato como verdade, abrindo caminho para ideologias totalitárias…

Diário – … Principalmente ao idolatrar o processo histórico e o Estado, colocando-o acima dos indivíduos, influenciando Karl Marx … Como o senhor vê uma iniciativa pedagógica de filosofia como o livro “O mundo de Sofia”, de Jostein Gaader?
Iulo – O sucesso foi muito grande porque ele envolveu o pensamento filosófico em uma linguagem mais literária. Podemos citar outro livro recentemente publicado, “Convite à filosofia”, de Marilena Chaui, que não teve a mesma saída. Isto porque ela utiliza nesta obra uma terminologia mais técnica, sem envolver em conotações literária. É importante entretanto destacar que quem acabar de ler esse o livro não sai dele como dono da disciplina. É uma espécie de prefácio à Filosofia.

Diário – E o senhor acha positivo o lançamento deste tipo de obra?
Iulo – Como estímulo, sim. Mas corre o risco de banalizar uma temática que exige outra linguagem. É perigoso. Se um aluno tiver um bom professor de filosofia, o livro ajudará a introduzir a disciplina. Só que não pode falar no estímulo.

Diário – Professor, o senhor é um filósofo neotomista. Como um filósofo do século 13 pode ainda ter algo a dizer em filosofia às vésperas do século 21?
Iulo – É uma coisa meio difícil de responder, porque precisamos ter um certo cuidado com a definição dos termos. Em primeiro lugar, é preciso compreender que, no plano da história da filosofia, podem haver momentos em que determinados sistemas, como doutrina, sofram um abalo no plano histórico. As condições da Idade Média não as temos mais. Mesmo na Renascença, as condições não eram idênticas, mesmo nas condições mais humanistas. Ou seja, em função do ponto de vista histórico, há de fato rupturas. Há entretanto outro plano, que é o plano temático. O fato de ter havido uma ruptura histórica não implica que a temática tomista tenha se perdido. A temática é mais complexa. Ela vai além da história, porque ela não é às vezes esgotada, exaurida, na época em que foi criada.

Diário – De que maneira a temática tomista é atual?
Iulo – Ela tem a ver na medida em que ela faz uma crítica à temática do racionalismo, que vem de Descartes até hoje.

Diário – De que forma?
Iulo – O tomismo põe em xeque uma série de questões, que se problematizaram ao longo dos séculos. Então o tomismo coloca certos problemas, por exemplo, a unidade entre essência e existência, a unidade entre o uno e o múltiplo. Esta temáticas se enfraqueceu com o racionalismo, que permaneceu mais no uno do que no múltiplo, transformando a filosofia em algo abstrato e formal, que acabou se impondo ao múltiplo, em vez de unificar o múltiplo ou desprezar o múltiplo, criando uma espécie de tiraria.

Diário – Ou seja, a razão muitas vezes pode se transformar em uma espécie de tirania quando, por exemplo, estabelece certos objetivos que não levam em conta o ser humano. É aquilo que o filósofo Husserl definia como o “racionalismo das pirâmides”, que cria um objetivo desumano, no caso, construir pirâmides, colocando a razão em função desta meta e empregando todos os meios para executar a missão de forma mais racional possível, nem que seja através da adoção da escravidão e da própria deterioração econômica, social e moral desta sociedade…

Iulo – Sim. O que acontece nos dias de hoje: uma série de pensadores retomaram a temática de São Tomás de Aquino. Do ponto de vista temático, ele tem muito a dizer.
Diário – O racionalismo gerou uma espécie de encruzilhada para a civilização.

Iulo – Correto. Criou-se um abismo entre o uno e o múltiplo, entre a essência e a existência. Ora, quando crio um abismo, crio problemas que não podem ter mais solução. Ora, deixar problemas em aberto traz problemas enormes.
Diário – De que forma exatamente o tomismo questiona o racionalismo?

Iulo – São Tomas de Aquino colocou um tema que o racionalismo tinha praticamente marginalizado em nome dos seus pressupostos. O racionalismo diz o seguinte: só é verdade aquilo que está incrustado nas idéias. A idéia que é verdade. Há entretanto ou outro mundo, que é o mundo da contingência, que é o mundo real, o mundo da existência, somos eu e o senhor, as árvores, as pedras etc. Essas coisas que se movem, corrompem-se, modificam-se… esse mundo “escorregadio” que vivemos. Pois bem, o tomismo então se questiona: como tomar o mundo da existência em face das idéias: eu separo ou incluo. Então vem a tese do neotomismo. Vamos tomar uma árvore. Por exemplo, no chamado idealismo é a idéia que fica, e aí vou manipulando. Para isso, eu tenho de matar a árvore e só ficar com a idéia. Como unir a idéia com a coisa concreta? O tomismo vem e reúne o objeto sensorial com a idéia de árvore. De que for-ma? Na medida em que reconheço que na idéia de árvore já está a forma. Ela tem algo de formal nela, aí então uno aquilo que havia sido separado pelo racionalismo e por aquelas linhas que põem ênfase nas idéias só e que desprezam o homem empírico.

Diário – Ou seja, o tomismo retoma o ser humano e o mundo real como prioridade, submetendo o mundo das idéias a um segundo plano.
Iulo – Exatamente. Para evitar esse abismo entre as idéias e o homem empírico, diz o neotomismo, temos que retomar as coisas tais como elas são dadas na percepção. Penso que o neotomismo também conseguiu retomar sua atualidade graças aos pensadores existencialistas, como Sartre.

Diário – Acho que houve também condições históricas, como o “racionalismo” da criação das bombas atômica e de hidrogênio, o “racionalismo” da indústria que trabalha com a ciência genética, que manipula seres vivos e está tentando patentear seres vivos, o “racionalismo” da Alemanha nazista, o “racionalismo” neoliberal, que faz do controle dos gastos públicos uma prioridade acima de qualquer ação fraterna e social. São formas enlouquecidas de razão, que transformaram idéias em princípios inquestionáveis. É uma razão tão centrada em sua própria lógica que esquece o ser humano.
Iulo – Esquece, e se o “resto”, que está fora desta razão começar a insistir, ele o destrói. A meu ver, o neotomismo é extremamente fecundo. Agora, eu posso tomar o neotomismo como filosofia só, sem me ater à parte teológica só, que está relacionada a um plano mais religioso. O neotomismo para mim é mais um estado de espírito que permite ao homem dissolver essas aporias todas que vieram com o idealismo.

Diário – O senhor é católico?
Iulo – Sou, por convicção filosófica.

Diário – E quanto à temática teológica de São Tomas de Aquino?
Iulo – Aqueles que querem ir mais longe em relação ao pensamento deste filósofo, devem estudar teologia. Ele foi um teólogo profundo que se apropriou da filosofia aristotélica, que é uma filosofia mais fecunda, que é a filosofia do senso comum, para a teologia.

Diário – E por que o senhor não se dedica à teologia?
Iulo – Trata-se de um assunto extremamente complexo que exige uma postura não só filosófica…

Diário – O tomismo então é uma forma de humanismo?
Iulo – O tomismo retoma o humano, no sentido que o homem vive no mundo e tem suas necessidades psicológicas e até metafísicas. Mas ele não para aí. Senão seria uma espécie de humanismo ateu ou até mesmo racionalista.

Diário – Então o neotomismo no século 20 é uma crítica ao individualismo e ao racionalismo de nosso tempo?
Iulo – Na Idade Média, as questões social, econômica e política eram muito restritas. Da Renascença para cá elas tiveram um crescimento enorme, colocando o homem e o econômico no centro da história. A miséria se alastrou. As dificuldades e diferenças de classe surgiram. Esses problemas, que não existiam na época de São Tomas de Aquino passaram a existir agora, e o desafio é como conciliar a metafísica com o problema do mundo prático, sem abrir mão de sua dimensão metafísica. Os neotomistas se interessaram pelo indivíduo sem abrir mão da metafísica, pois sem a metafísica coloca o homem um pouco acima dele, até para ele não se limitar a si próprio, não se asfixiar, em busca de valores absolutos. Disso, o neotomismo não abre mão.

Diário – Então, o neotomismo coloca o homem em função de valores?
Iulo – O neotomismo, que é um estado de espírito, procura voltar para o prático, mas diz o homem não pode viver para o prático, que é de certa forma o Estado, que é a encarnação do absoluto. É preciso inverter o raciocínio. O Estado é que vive para o homem. O Estado, com seus dispositivos legais, deve viver para o homem. Isto significa que o homem vai além do Estado. E vai além do Estado em direção a que? A certos valores, que o neotomismo diria absolutos, como Deus e a moral fraterna.

Um presente! Revue L’Homme. Revue française d’anthropologie, n° 182

Racisme, antiracisme et sociétés
veja mais aqui
Wiktor Stoczkowski – Racisme, antiracisme et cosmologie lévi-straussienne. Un essai d’anthropologie réflexive.
Pierre Savy – Transmission, identité, corruption. Réflexions sur trois cas d’hypodescendance.
Emmanuel Parent – Derrière le voile. L’impossible résolution musicale des antagonismes raciaux aux Etats-Unis.
Patrick Williams – Les Alsaciens-Lorrains romanichels pendant la première guerre mondiale. Un cas d’école ? Varia
Guillaume Rozenberg – Le saint qui ne voulait pas mourir. Hommage à Robert Hertz.
Mathieu Hilgers – La dynamique de la croyance. Enjeux contemporains d’une ancienne cérémonie moaga.
Stéphane Rennesson – Violence et immunité. La boxe thaïlandaise promue en art d’autodéfense national.En question
Eric Jolly – Rêveries exotiques sur le Dogon

Dois Parlamentos

– Nestes cemitérios gerais

os mortos não mostram surpresa

– A morte para eles

Foi coisa rotineira.

– Nenhum tem o ar de ter morrido

em instantâneo ou guilhotina.

– Porém de um sono lento

que adorme, não fulmina.

– Em nenhum deles há as posturas

desses que morrem sob protesto.

– É sempre a mesma pose

sem nenhum grito, gesto.

– Entre eles gestos de eloqüência

não se vêem nunca, quando a morte.

– Todos morrem em prosa,

como foram, ou dormem

um poema de João Cabral de Melo Neto

Poema contra o racismo

Mãos Dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.


Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

De Borges

O labirinto
Este é o labirinto de Creta. Este é o labirinto de Creta cujo centro foi o Minotauro. Este é o labirinto de Creta cujo centro foi o Minotauro que Dante imaginou como um touro com cabeça de homem e em cuja rede de pedra se perderam tantas gerações. Este é o labirinto de Creta cujo centro foi o Minotauro, que Dante imaginou como um touro com cabeça de homem e em cuja rede de pedra se perderam tantas gerações como Maria Kodama e eu nos perdemos. Este é o labirinto de Creta cujo centro foi o Minotauro, que Dante imaginou como um touro com cabeça de homem e em cuja rede de pedra se perderam tantas gerações como Maria Kodama e eu nos perdemos naquela manhã e continuamos perdidos no tempo, esse outro labirinto.

(Atlas – tradução de Miguel Angel Paladino)

Roland Barthes

Um portal cheio de artigos, aqui. Um texto, nesta URL.

Uma vez atingido o extremo da linguagem, lá, onde ela nada pode senão
repetir sua última palavra, como um disco riscado, embriago-me com sua
afirmação: a tautologia não seria aquele estádio inaudito, no qual se
reencontram, misturados todos os valores, o fim glorioso da operação lógica, o
obsceno da tolice e a explosão do sim nietzschiano?