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Arquivo de racismo

Poema contra o racismo

Mãos Dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.


Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

Obra silencia sobre lutas dos minoritários

MARCIO GOLDMAN
ESPECIAL PARA A FOLHA

“Divisões Perigosas” dá continuidade a uma conhecida intervenção política contra o Estatuto da Igualdade Racial e a lei de cotas em tramitação no Congresso Nacional: de seus 46 artigos, dois terços já foram publicados em jornais e revistas de grande circulação nacional (11 deles na Folha). Seu argumento não é menos conhecido: qualquer política pública em benefício dos que sofrem discriminação racial é perigosa e corresponde a uma forma de racismo. Se a intervenção é política, sua legitimidade é buscada na qualificação profissional dos autores. O que permitiria esperar mais rigor nos textos e uma maior clareza na explicitação das opções intelectuais adotadas. Mas não é difícil perceber, desde o título, os pressupostos de “Divisões Perigosas”:

falar em raça é “perigoso” porque “divide” uma unidade transcendente, a
humanidade (alguns preferem a sociedade ou a identidade nacional), e porque,
garantem os cientistas naturais que colaboram no livro, “raça” não existe. O que
“existe” é, de um lado, o “código genético”; de outro, completam os cientistas
sociais, a estrutura e os valores da sociedade brasileira (que, asseguram, não é
racista).

Conceito de raçaSe raça foi durante muito tempo um conceito tido por científico, o reconhecimento de que certezas passadas da ciência não passam, hoje, de erros, deveria levar a uma certa modéstia, não a novas certezas mais uma vez disseminadas com “autoridade científica”. Intelectuais acostumados a lidar com a construção social do conhecimento, a inextricável mistura de ciência e interesses e a pôr os fenômenos em seu contexto, deveriam admitir que a recusa do conceito de raça pela genética não significa a “descoberta” de que raças não existem. E que essa recusa não tem o poder de fazer calar categorias homônimas utilizadas por outros agentes sociais em suas lutas. Isso não ocorre apenas quando se evoca a ciência para garantir a inexistência das raças, mas também quando se opõe a “verdadeira” história da África ou a estrutura “real” da sociedade brasileira ao que se considera meras ilusões.

“Desessencializar” é tarefa complexa, especialmente quando, via de regra, consiste na substituição de uma essência por outra. Enfrentar o racismo”Raça” não é nem uma coisa cuja existência ou inexistência poderia ser arbitrada pela ciência, nem um simples recorte equivocadamente efetuado em uma unidade originária. É uma categoria que pode ordenar de diferentes maneiras a diversidade do real e da experiência. Quando os movimentos negros falam em raça, não estão se referindo a genótipos ou a louváveis ideais abstratos de igualdade, mas a experiências coletivas de discriminação e resistência. Quando o combate às desigualdades raciais assume a forma de políticas públicas é para enfrentar o racismo no campo sociopolítico, não apenas no das ideologias e preconceitos. Ao silenciar sobre as lutas e reivindicações dos movimentos minoritários, o livro converte alvos do racismo em racistas potenciais e confunde o combate à discriminação com “políticas raciais” inventadas por intelectuais influenciados por idéias estrangeiras e políticos em busca de votos. E ao se concentrar nas “falsas idéias” e não no conteúdo efetivo das práticas racistas, acaba por associar essas lutas e essas políticas à Ku Klux Klan, ao apartheid e até ao nazismo, disseminando um medo que não sabemos bem de quê ou de quem é. Talvez de uma experiência sociopolítica visando modificar o quadro geral de desigualdade e exclusão no qual vivemos.


MARCIO GOLDMAN é professor associado do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

De raças, racismo e sociobiologia

Nélio Rodrigues – Revista Galileu
Sérgio Danilo Pena – Professor titular do Departamento de Bioquímica e Imunologia da UFMG e presidente do Gene – Núcleo de Genética Médica de Minas Gerais
Lamentavelmente o professor José Alexandre Felizola Diniz Filho entendeu de maneira equivocada as minhas declarações publicadas em GALILEU em fevereiro de 2003. A fonte da sua confusão parece ter sido o fato da palavra “raça” poder assumir diferentes significados.
Biologicamente, a raça é usada como um sinônimo de subespécie e caracterizada pela existência de linhagens evolutivas distintas dentro das espécies (Templeton, A.R. Am. Anthropol. 100: 632, 1999). Assim, a presença de diferenciação genética é uma condição necessária, embora não suficiente, para a definição de subespécies ou raças. Na prática, a diferenciação genética é mensurada comparando a variabilidade entre indivíduos dentro das raças com a variabilidade entre as raças. Como no Homo sapiens a variabilidade dentro das chamadas “raças” (grupos continentais) representa 93% a 95% da variabilidade genética total, caracteriza-se assim a ausência de diferenciação genética e, conseqüententemente, a inexistência de raças humanas.
Entretanto, a palavra “raça” também serve para denotar categorias socialmente definidas.
Em seu livro “Classes, Raças e Democracia”, Antônio Sérgio Guimarães distingue a crença de que raças existam cientificamente (“racialismo”) da prática odiosa de discriminação com base em “diferenças raciais” (racismo): indivíduos podem ser racialistas ou não-racialistas e, separadamente, racistas ou anti-racistas. Fica claro que a inexistência de raças do ponto de vista biológico não impede a ocorrência do racismo, já que este depende somente da existência de “raças” como construções sociais. Esta diferença entre os dois sentidos da palavra “raça” é sutil e parece ter escapado a Diniz Filho. Mas ela é importantíssima, como demonstra a polêmica sobre o pedido de habeas-corpus de Siegfried Ellwanger, atualmente sendo apreciado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ellwanger foi condenado por crime de racismo no Rio Grande do Sul, por ter editado obras de conteúdo anti-semita. A argumentação do seu recurso perante o STF, surpreendentemente acolhida pelo ministro relator, foi de que ele não poderia ter cometido o crime de racismo previsto na Constituição, porque os judeus não compõem uma raça. Em brilhante opinião contrária, o ministro Maurício Corrêa defendeu uma interpretação “teleológica e sistêmica” da Constituição Federal, afirmando que a genética baniu de vez o conceito tradicional de raça e que a divisão dos seres humanos em raças decorre de um processo político-social originado da intolerância dos homens. O julgamento final estava previsto para o fim de abril.
Sobre o tema da sociobiologia, abordado por César Ades em carta na edição de abril, reafirmo que o paradigma de organização social humana apresentado em 1975 por Edward Wilson no livro “Sociobiology: The New Synthesis” é inaceitável, por ser reducionista e biologicamente determinista. Como Lewontin, Rose e Kamin afirmam em “Not in Our Genes”: “A Sociobiologia é uma tentativa de fornecer um alicerce científico a Adam Smith [1723-1790]. Ela mistura mendelismo vulgar, darwinismo vulgar e reducionismo vulgar, a serviço do status quo”. Assim, não é surpresa nenhuma que a sociobiologia tenha sido acolhida de braços abertos pela direita americana, que passou a usá-la para justificar “cientificamente” suas posições reacionárias.

Race In/For Cyberspace: Identity Tourism and Racial Passing on the Internet

O texto aqui. Outro artigo, “Keeping it (Virtually) Real: The Discourse of Cyberspace as an Object of Knowledge”, nesta URL. E-mail da pesquisadora.

SELECTED PUBLICATIONS
Books:
Cybertypes: Race, Ethnicity, and Identity on the Internet. New York and London: Routledge, 2002.
Race In Cyberspace. [Edited, with Beth Kolko and Gilbert Rodman] New York and London: Routledge, 2000.

Book Chapters:
“Race” in The Internet and American Life, Ed. Phil Howard and Steve Jones, Thousand Oaks and London: Sage Press, forthcoming 2002.
“Remastering the Internet: the Work of Race in the Age of Mechanical Reproduction,” in Archaeology of Multi-media, Ed. Wendy Chun, New York: Routledge, forthcoming 2002.
“Race in the Construct, or the Construction of Race: New Media and Old Identities in The Matrix” in Domain Errors! A Cyberfeminist Handbook of Tactics, Eds. Michelle Wright, Maria Fernandez, and Faith Wilding, New York: Autonomedia Press, forthcoming 2002.
“After/Images of Identity: Gender, Technology, and Identity Politics” in Reload: Rethinking Woman + Culture, Eds. Austin Booth and Mary Flanagan, Cambridge: MIT Press, 2002.
“Race” in Unspun: Key Terms for the World Wide Web and Culture, Ed. Thomas Swiss, New York: New York University Press, 2001.
“Race In/For Cyberspace: Identity Tourism on the Internet” in The Cybercultures Reader, Ed. David Bell, New York and London: Routledge Press, 2000 and in CyberReader, 2nd edition, Ed. Victor Vitanza, New York: Allyn and Bacon,1999.
“‘Where Do You Want to Go Today?'” Cybernetic Tourism, the Internet, and Transnationality” in Race In Cyberspace. [Edited, with Beth Kolko and Gilbert Rodman] New York and London: Routledge, 1999.

Fontes: Antonio Sérgio Alfredo Guimarães

Direto do Programa de Pesquisa, Ensino e Extensão em Relações Étnicas e Raciais,
este texto é maravilhoso. E-mail do autor.

Texo da Folha:

O Brasil é um país racista?
SIM

O racismo como conseqüência

ANTONIO SÉRGIO ALFREDO GUIMARÃES

EM 1998 , Pierre Bourdieu e Loïc Wacquant se perguntavam, em famoso libelo contra o imperialismo cultural norte-americano: “Quando será publicado um livro intitulado “O Brasil Racista”, segundo o modelo da obra com o título cientificamente inqualificável, “La France Raciste”, de um sociólogo mais atento às expectativas do campo jornalístico do que às complexidades da realidade?” Igual desafio me coloca a Folha.

Eu respondo sim, somos um país racista, se por racismo entendermos a disseminação no nosso cotidiano de práticas de discriminação e de atitudes preconceituosas que atingem prioritariamente os pardos, os mestiços e os pretos. Práticas que diminuem as oportunidades dos negros de competir em condições de igualdade com pessoas mais claras em quase todos os âmbitos da vida social que resultam em poder ou riqueza.

Do mesmo modo, até recentemente era difícil achar uma face negra na TV brasileira, em comerciais ou em programas de entretenimento ou informação. Casos de violência policial contra negros eram comuns, como o era a detenção de negros por suspeição ou a proibição de usarem o elevador social em edifícios residenciais.

A presença de negros nas universidades, como professores ou alunos, continua muito abaixo da proporção de negros em nossa população. Para culminar, o descaso dos poderes públicos para com os bairros periféricos ou as regiões mais pobres do país torna ainda mais sofríveis os indicadores sociais relativos a pretos e pardos.

As desigualdades raciais, ou seja, os diferenciais de renda, saúde, emprego, educação etc. entre brancos, de um lado, e pretos e pardos, de outro, são gritantes e estão muito bem documentadas. A julgar pelos resultados, portanto, somos racistas. E esse é o modo como, no mundo atual, a sociologia e as instituições internacionais definem o racismo. Não é pelas intenções, pelas doutrinas ou pela consciência racial, mas pelo resultado de uma miríade de ações e omissões. Como funciona o nosso “racismo como conseqüência”?

Desde os anos de 1940 o sabemos. Não classificamos por raça, mas por cor. Não acreditamos em grupos de descendência chamados “raças”. Os nossos “grupos de cor” são abertos, podem se alterar de geração a geração, podem conviver com certa mobilidade individual. São classes, no sentido weberiano. Temos e cultivamos, portanto, classes de cor.

Mas, apesar de fronteiras incertas para o olhar europeu, não há dúvidas de que pessoas e famílias no Brasil pertencem a classes de cor bem determinadas, se fixarmos um momento no tempo. “Cores” são tão socialmente construídas quanto as “raças” e delas derivadas.

Discriminamos abertamente as pessoas por classe de cor ou de renda, por local de nascimento ou aparência física etc. Todas essas discriminações são feitas em muito boa consciência porque não acreditamos em “raças”.

Não creio, entretanto, que nosso racismo seja pior, como querem alguns militantes, porque mais difícil de ser combatido e revertido. Nos últimos dez anos, melhorou o respeito aos direitos individuais, e a representação de demandas coletivas se revigorou no Brasil. Reconhecemos o nosso racismo. Isso levou a uma sensível mudança de atitude, políticas novas estão sendo testadas.

Como explicar de outro modo a implantação de ações afirmativas ou programas de inclusão social em tantas universidades públicas; a contratação de artistas e jornalistas negros pelos meios de comunicação; a criminalização da discriminação; a diminuição das arbitrariedades policiais contra os negros; o reconhecimento das terras quilombolas etc.?

Tudo isso, porém, não podia ser feito sem que um movimento social poderoso se organizasse em torno da reivindicação de igualdade racial contando com a solidariedade internacional. Um “imperialismo cultural” de conseqüências republicanas e democráticas, eu diria. Alguns temem que as “classes de cor” se tornem “raças” pela força da lei, ou seja, pelas políticas de inclusão social e racial. Espero que se dê algo bem diferente: se eficientes, essas políticas podem dissolver o racismo que subsiste sob as classes de cor.


ANTONIO SÉRGIO ALFREDO GUIMARÃES, 57, Ph.D em sociologia pela Universidade de Wisconsin-Madison, é professor titular do Departamento de Sociologia da USP. É autor, entre outras obras, de “Racismo e Anti-Racismo no Brasil” e “Classes, Raças e Democracia

Citações acerca do racismo

União Europeia considera que deve combater as discriminações em razão do sexo, raça, origem étnica, religião e crença, deficiência, idade ou orientação sexual.

UMA VISTA DE OLHOS POR CERTAS DEFINIÇÕES E CONCEITOS

“O racismo começa quando a diferença, real ou imaginária, é usada para justificar uma agressão. Uma agressão que assenta na incapacidade para compreender o outro, para aceitar as diferenças e para se empenhar no diálogo”.
Mário Soares, antigo presidente de Portugal

“O racismo consiste em crer que certas pessoas são superiores a outras devido a pertencer a uma raça específica. Os racistas definem uma raça como sendo um grupo de pessoas que têm a mesma ascendência. Diferenciam as raças com base em características físicas como a cor de pele e o aspecto do cabelo. Investigações recentes provam que a (raça) é um conceito inventado. A noção de (raça) não possui qualquer fundamento biológica. A palavra (racismo) é igualmente usada para descrever um comportamento abusivo ou agressivo para com os membros de uma (raça inferior). O racismo reveste-se de várias formas nos diversos países, consoante a sua história, cultura e outros factores sociais. Uma forma relativamente recente de racismo, por vezes denominada (diferenciação étnica ou cultural), defende que todas as raças e culturas são iguais, mas não se deviam misturar, de maneira a conservar a sua originalidade. Não existe nenhuma prova científica da existência de raças diferentes. A biologia só identificou uma raça: a raça humana.

«A Europa é uma sociedade multicultural e multinacional que se enriquece com esta variedade. No entanto, a constante presença do racismo na nossa sociedade não pode ser ignorada. O racismo toca toda a gente. Degrada as nossas comunidades e gera insegurança e medo.»
Pádraig Flynn, Comissário Europeu

«A criatividade só pode ter origem na diferença.»
Yehudi Menuhin, violinista e defensor dos direitos do Homem

«O racismo começa quando a diferença, real ou imaginária, é usada para justificar uma agressão. Uma agressão que assenta na incapacidade para compreender o outro, para aceitar as diferenças e para se empenhar no diálogo.»
Mário Soares, antigo Presidente de Portugal

«Preconceito: opinião desfavorável relativamente a uma pessoa ou um grupo formada sem conhecimento, razão ou causa.Poder: capacidade para fazer mover as coisas, as possuir e as controlar.Diferença entre racismo e preconceito: o preconceito pode significar o desprezo por alguém antes mesmo de saber o que quer que seja sobre ele, mas sem ter, necessariamente, o poder de influenciar a sua vida negativamente. Quanto ao racismo, está relacionado com o funcionamento de toda uma sociedade e inclui o poder de pôr os preconceitos racistas em acção. A maioria tem poder sobre a minoria e pode, intencionalmente ou não, praticar actos racistas. Assim, o racismo implica ter o poder para discriminar e prejudicar as pessoassob pretexto de serem diferentes.”
Conselho da Juventude Britânico

«O racismo consiste em crer que certas pessoas são superiores a outras devido a pertencerem a uma raça específica. Os racistas definem uma raça como sendo um grupo de pessoas que têm a mesma ascendência. Diferenciam as raças com base em características físicas como a cor da pele e o aspecto do cabelo. Investigações recentes provam que a “raça” é um conceito inventado. A noção de ‘”raça” não possui qualquer fundamento biológico. A palavra racismo é igualmente usada para descrever um comportamento abusivo ou agressivo para com os membros de uma “raça” inferior. O racismo reveste-se de várias formas nos diversos países, consoante a sua história, cultura e outros factores sociais. Uma forma relativamente recente de racismo, por vezes denominada “diferenciação étnica ou cultural”, defende que todas as raças e culturas são iguais, mas não se deviam misturar, de maneira a conservar a sua originalidade. Não existe nenhuma prova científica da existência de raças diferentes. A biologia só identificou uma raça: a raça humana.
A intolerância é uma falta de respeito pelas práticas e convicções do outro. Aparece quando alguém recusa deixar outras pessoas agirem de maneira diferente e terem opiniões diferentes. A intolerância pode conduzir ao tratamento injusto de certas pessoas em razão das suas convicções religiosas, sexualidade ou mesmo da sua maneira de vestir ou de pentear. A intolerância não aceita a diferença. Está na base do racismo, do anti-semitismo, da xenofobia e da discriminação em geral. Frequentemente, a intolerância pode conduzir à violência.
A igualdade é a característica do que é igual. O que significa que nenhuma pessoa é mais importante que outra, quaisquer que sejam os seus pais e a sua condição social. Naturalmente, as pessoas não têm os mesmos interesses e as mesmas capacidades, nem estilos de vida idênticos. Consequentemente, a igualdade entre as pessoas significa que todos têm os mesmos direitos e as mesmas oportunidades. No domínio da educação e do trabalho, devem dispor de oportunidades iguais, apenas dependentes dos seus esforços. A igualdadede só se tornará uma realidade quando todos tiverem, em termos idênticos, acesso ao alojamento, àsegurança social, aos direitos cívicos e à cidadania.
O interculturalismo consiste em pensar que nós no enriquecemos através do conhecimento de outras culturas e dos contactos que temos com elas e que desenvolvemos a nossa personalidade ao encontrá-las. As pessoas diferentes deveriam poder viver juntas apesar de terem culturas diferentes. O interculturalismo é a aceitação e o respeito pelas diferenças. Crer no interculturalismo é crer que se pode aprender e enriquecer através do encontro com outras culturas.»
UNIDOS para uma acção intercultural

«Existe um certo número de etapas que conduzem à discriminação activa, à violência e mesmo à purificação étnica e ao genocídio.CATEGORIZAÇÃO: fazer generalidades e dividir as nossas experiências em categorias de modo a facilitar a nossa maneira de gerir o mundo à nossa volta. Dividem-se e rotulam-se as pessoas e os grupos.
ESTEREOTIPAR: quando se rotulam as pessoas, é tentador fazer-se uso de estereótipos. Os estereótipos são juízos de valor com base em informação insuficiente. Há estereótipos positivos e negativos, mas acreditar num estereótipo negativo e exacerbá-lo pode tornar-se perigoso e pode conduzir ao…
PRECONCEITO: composto por ideias criadas num leque de emoções e, de factos insuficientes. Um preconceito é frequentemente constituído sem qualquer fundamento e, no entanto, é aceite sem ser posto em causa. Há por vezes contrastes entre nós e eles. Os preconceitos podem levar a comportamentos hostis em presença do grupo em questão. As reacções seguintes derivam do preconceito:
EVITAR: evitar o grupo, não lhe falar, não o querer encontrar.
ABUSO VERBAL: falar negativamente do grupo e ao grupo.
DISCRIMINAÇÃO: enquanto o preconceito é uma atitude, a discriminação é um comportamento que despreza o grupo, o trata mal, o recompensa menos que os outros, o boicota, e até mesmo o exclui.
ABUSO VIOLENTO: gozando, importunando, ameaçando, assediando ou prejudicando o património do grupo.
ELIMINAÇÃO: isolando, banindo, matando, linchando, procedendo ao genocídio ou à purificação étnica.»
CSV Media (UK)A caminho da igualdade,manual para grupos de jovensque trabalham em iniciativas antidiscriminatóriasnos meios de comunicação social

«A imigração é um fenómeno constante ao longo da história da Humanidade, que cria e enriquece as culturas, em vez de as ameaçar.»
Russel/ King, Universidade de Sussex, 1991

«Nós encontramo-nos hoje numa importante encruzilhada, face àquilo que talvez seja a mais dura batalha alguma vez travada. As crenças fundamentalistas de todo o tipo invadiram o mundo…O racismo é uma invenção humana, relativamente moderna e que, julgo eu, não é inevitável.»
Professora Patricia Wil/iams,conferencista, 1997

Comissão Europeia”RACISTA, EU?!”Luxemburgo: Serviço das Publicações Oficiais das Comunidades Europeias1998 – 31 p. 21 x 29,7 cmISBN 92-828-4023-9

Talking Race and Cyberspace: Lisa Nakamura

Talking Race and Cyberspace:
Interview with Lisa Nakamura
By Geert Lovink
I met Internet scholar Lisa Nakamura at a conference in Oslo, late 2001, where she showed how techno-utopian dreams reproduced racist patterns. Her analysis was of a shocking normality because it, once again, proved how ‘the old’ got teleported into the new in such a friction-free manner.Nakamura’s material shows how the Internet, despite all its alternative claims, is part of dominant visual culture. “No one on the Internet knows you are a dog.” It is this flirt with fluid identities, so common in the roaring nineties, that distracted Internet advocates from futher investigations. That, of course, changed over the past years. A number of conferences were held and studies done, and Lisa Nakamura’s work stands out within this context.The following email interview was done after we both got involved in a debate about the merits of ‘Internet research’.Full Interview:Talking Race and Cyberspace